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Gestão e foco no cliente são destaques em evento no Mês da Advocacia

Durante toda a tarde da quarta-feira (21/08), advogados ouviram especialistas sobre “Novas Práticas na área de Gestão de Escritório” no auditório do OAB – Cubo. O evento foi promovido pelo grupo de estudos de gestão de escritórios da Ordem gaúcha, com o apoio da Escola Superior de Advocacia (ESA). A integrante do grupo de estudos, Renata Bitencourt, destacou a necessidade de debater o tema: “Diante das dificuldades que os colegas enfrentam no dia a dia da profissão, acreditamos ser de suma importância trabalhar, cada vez mais, com essas questões de gestão, de tecnologia, de inovação, de inteligência artificial e entender como isso impacta o mercado de trabalho”, afirmou Renata. O encontro foi pidido em quatro painéis que abordaram temáticas distintas, todas ligadas à gestão de escritório de advocacia. O primeiro, com o tema “Tributação e financeiro para advogados”, contou com as palestras da contadora Claudia Beatriz Gonçalves e do advogado Artur de Oliveira. Claudia abordou o papel da pessoa responsável pelas finanças em um escritório de advocacia: “A gestão financeira 4.0 visa à ampliação do escopo de atuação de quem trabalha com a parte financeira de um escritório. Este profissional tem que ter um “olhar sobre o todo”: finanças, a parte jurídica, a atividade do escritório no mercado, uma visão fiscal do negócio, enfim, é muito mais do que simplesmente pagar e receber”, enfatizou Claudia. O advogado Artur de Oliveira falou sobre os regimes atuais de tributação para advogados, e as diferenças de se atuar como pessoa física ou jurídica: “É necessário haver um planejamento tributário para ver o que é mais rentável para cada caso. Se o profissional tem um volume baixo de receita, talvez possa operar como pessoa física, pagando o carne-leão e com a possibilidade de deduzir valores na declaração de imposto de renda. Para quem tem um fluxo maior talvez, seja mais interessante atuar como pessoa jurídica através do simples nacional, pagando uma parcela única de imposto”, explicou Oliveira. O segundo painel falou sobre as estruturas societárias e recursos humanos com a psicóloga Daniela Floriano e o advogado Lucas Martins Dias. “Referente à estruturação de escritório, é importante atentar-se a constituição da sociedade. Uma estrutura societária mal elaborada vai causar problemas na gestão do escritório. É necessário construir o contrato, pensando na sociedade, e não simplesmente no CNPJ”, alertou Dias. O advogado deu exemplos de constituição de uma sociedade com cotas de patrimônio (sócio que contribui para o capital), cotas de serviço (que contribui com o serviço) e as responsabilizações dos sócios. A psicóloga Daniela falou sobre as habilidades relacionais, imprescindíveis para advocacia: “Identifico uma carência na formação do advogado em relação à competência relacional. Isso é primordial para qualquer profissão e não é diferente com a advocacia. O foco do escritório deve ser sempre o cliente, e é fundamental basear essa relação em quatro elementos: presença, responsividade, transparência e autenticidade”, ressaltou Daniela. O terceiro painel abordou novas tecnologias aplicadas à advocacia. Os advogados Gustavo Rocha e Gabriel Lopes Moreira, em tom de bate-papo, demonstraram para a plateia softwares e inovações que já são realidade no mercado. “Aqui no Brasil muito se fala na advocacia 4.0, mas em países como o Japão já temos a advocacia 5.0, cuja principal diferença é o foco nas pessoas, a tecnologia é apenas um meio para melhor atender as pessoas”, afirmou Rocha. Sobre a inteligência artificial, Rocha destacou que os tribunais já a utilizam: “A inteligência artificial é utilizada em muitos tribunais através de algoritmos, e os softwares estão aí para serem usados ao nosso favor, é possível inclusive identificar esses algoritmos e tentar usá-los a favor da causa”, salientou Rocha. Moreira falou sobre o conceito de jurimetria: “É uma terminologia para apuração de dados estatísticos dentro do universo do Direito. Se passou a calcular, avaliar e numerar situações que podem trazer até um tipo de previsibilidade às questões usuais dos tribunais e ao acompanhamento dos processos. Com os softwares podemos ter, inclusive, um indicativo de resultados com base em decisões de outros processos”, avaliou Moreira. O debate ainda abordou a possiblidade de a tecnologia substituir as pessoas e eliminar profissionais. Rocha afirmou que a inteligência artificial que temos hoje é por algoritmos, e ela não substitui a inteligência humana: “Pode haver limitação na inserção no mercado de trabalho devido a automação, mas mais ligada ao trabalho repetitivo, que não necessita da inteligência jurídica do advogado”, ponderou Rocha. O último painel do evento analisou as habilidades comportamentais e a inovação na “nova advocacia”. Os advogados Camile Souza Costa e Tiago Breyer focaram suas falas nas grandes transformações tecnológicas que vivemos e como ressignificar o direito neste universo. Camile falou sobre as relações de conectividade proporcionadas pela tecnologia: “Hoje, temos muito compartilhamento de informações e, a partir disso, podemos chegar a soluções mais criativas no direito, mas, claro, sempre dentro dos limites éticos. Atender empresas que não têm mais espaço físico, que trabalham puramente através da tecnologia, e encaixá-las em uma legislação que ainda não prevê isso, é um dos grandes desafios dessa nova economia. Identifico uma desconexão do ensino jurídico com a nossa realidade extremamente mutante. O advogado tem que atuar com o foco no cliente, estar sempre a frente, e, antes mesmo de atuar no preventivo, é preciso ser proativo”, concluiu Camile. Breyer, na mesma linha de reflexão, afirmou que quem não se renovar vai deixar de existir: “Hoje, o melhor advogado não é mais aquele que estuda apenas o direito, a legislação. Hoje é necessário estudar a gestão do negócio acima de tudo e avaliar qual vai ser o diferencial, sempre com o foco no cliente”, afirmou Breyer.  
23/08/2019 (00:00)
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